Aprendendo a ser

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Fá-lo-ei por eles e por outros que me confiaram as suas vidas, dizendo: toma, escreve, para que o vento não o apague.

11 de março de 2010

Palavras avulsas

Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo...
Clarice Lispector


Talvez hoje seja o dia da não-palavra, embora pudesse ficar aqui, nesses devaneios que uma boa quinta-feirina pede, mas já que não são as palavras que contam, como já dizia ela: Clarice.
...E por vezes, diria eu, até complicam, afastam, simulam e tantas outras artimanhas de persuasão a palavra contém, que eu nao me atrevo a dizer. Por isso a opção de calar.
Os silêncios devem existir por algum bom motivo. Sejam constrangedores ou nao. Ali estão, prontos para serem silenciados e sentidos conforme o momento pedir.
Portanto, hoje, vou me reduzir a meu canto. Fazer as trivialidades do dia, ser engolida um pouco, mas só um pouco, pela obviedade das coisas, pelas poucas palavras nas relaçoes, pelo meu desalinhado sem precisar pedir desculpas, pelos reclames vãos, pelo cansaço desse sol abrasador de Fortaleza e pela insondável solidão, repleta de silêncio e do contato mais honesto comigo mesmo, que alguém, por puro amor, um dia, me concedeu, e tudo isso, para que eu nao fosse orgulhoso demais a ponto de pensar que o outro seria tao ligado a mim, a ponto de nao me deixar sozinho, que o outro só era outro porque era o ponto para o qual eu olhava, enquanto esquecia de olhar pra mim
Esse outro...distante, indefinido. Eu só poderia olhá-lo com algum discernimento se um dia eu olhasse para mim com plena aceitação . Ah, o outro...deixa o outro com os problemas dele. Deixa o outro "SER" displicentemente. Tão pequeno como você. E os problemas? Só sao maiores que ele, porque ele é pequeno. Os seus meus problemas são do tamanho que eu vejo.
Se puder fazer algo grandioso, faça por você mesmo. E serás grandioso para ti e para o outro, se lhe convier.
A minha pequenez diante das coisas nunca me foi problema.
Difícil é reconhecer o próprio tamanho, o resto é...próximo! alguém pode falar melhor que eu...

7 comentários:

Le Babiot disse...

Pequenez...disso, minha cara, eu entendo, dito "perito", haha...preciso de um soco!

Paulo Henrique Passos disse...

Primeiro, minhas desculpas por não ter passado aqui nos posts passados.

Agora, quanto ao texto, concordo que as palavras às vezes atrapalham mesmo, e sou um adepto do silêncio nas horas certas que, por sinal, causa bem mais efeito que qualquer blá blá blá.

Marília Maia disse...

Ultimamente ando vendo muito o nome da "Clarice" ser muito citado... O que será isso???


Gostei do seu comentário no meu blog... achei muito legal... e ainda bem que vc não ficou assim "com um pé atrás" pq disse que seus textos são muito grandes, não é todo mundo que aceita críticas...

Mas enfim, não li ainda direito o teu texto, pois ando com o tempo corrido. Mas lerei esse e o "Não gostar", pois prometi ler com mais atenção... deixa eu só desafogar um pouquinho que farei... Passei aqui mais para agradecer o comentário.
Ok!

beijão!
;)

Thiago César disse...

eita, talvez por falta de insensibilidade da minha parte, esse texto pra mim parece falar sobre dor de cotovelo (já me desculpando pela falta de poesia nesse termo)... hehe!

CA Ribeiro Neto disse...

Linda, é incrível como seu texto é distante e íntimo ao mesmo tempo. Íntimo por ser muito subjetivo; distante por ser o seu subjetivismo!

As vezes o silêncio é bom, acalma. Digo com o meu jeito de escutar mais do que falar...

cybelle disse...

gostei, beijos!

Marília Maia disse...

Retornando aos comentários...

"Palavras Avulsas"... Palavras acarrancadas à força... Dói, mas às vezes precisam ser tiradas com toda essa força para desabafar aquilo que anda meio "intalado na sua garganta" e que não dá para falar de jeito nenhum, mas em palavras dá pra expressar alguma coisa. Ou pelo ao menos se tenta...

Algo me chamou atenção:
"Os silêncios devem existir por algum bom motivo. Sejam constrangedores ou não. Ali estão prontos para serem silenciados e sentidos conforme o momento pedir."

Acho que quando o silêncio advém de nós, o mesmo é bem compreensivo... Mas quando enxergamos o silêncio em outros a incompreensão bate a todo momento a nossa porta lhe pedindo sastifação daquilo que o outro não lhe deu.

..."insondável solidão"... a solidão é muitas vezes inexplicável mesmo... não tem muito o que dizer dela, já que ela é muita íntima para cada um de nós... em outros textos meus, do qual vc até já comentou, falei sobre como algo para mim que representou a positividade de encontro de mim comigo mesma...

Em...
"Os seus meus problemas são do tamanho que eu vejo.
Se puder fazer algo grandioso, faça por você mesmo"

Concordo plenamente com vc... nem precisa fazer algum comentário sobre esse trecho... ele já diz tudo.

Sempre muito bom visitar e comentar no seu blog...

att,
:)